Encontros e Despedidas

 

encontros

 

A culpa vem derrotando todos os seus objetivos.
Em volta só vê cicatrizes do que já não é nada.



No romance, Cerceau mantém sua volição pela análise do ser humano. Utilizando-se da construção de uma profundidade psicológica em seus personagens, o enredo é construído retratando-se o cotidiano, tendo cada fato uma ligação intrínseca com o caráter das personagens: nada nesta vida é por acaso.

 

A obra avalia um dos ícones literários mais famosos, a culpa: o ser humano passa toda a vida martirizando-se por algum fato ou comportamento reprovável que infringe o código moral (pessoal) ao qual obedece, e por isso julga-se passível de alguma condenação. A culpa passa a derrotar todos os objetivos, em volta só vê cicatrizes do que já não é nada. O que guarda são planos fracassados, ressalta o autor.


Em nossos momentos de felicidade, esquecemos de viver com toda integridade merecida. Quantas vezes criamos obstáculos e barreiras em nossos caminhos. Quantas vezes remamos contra a maré. E quando estes momentos passam deparamos com o tormento chamado culpa. O beijo que não foi dado. Eu te amo não pronunciado. Um abraço, um carinho. Às vezes somente uma palavra.

 

Ingrid vivia solidão... Esqueceu-se que cada ser humano tem um caminho, uma história para viver...

 

Trauma sufocado (...)


Certas lembranças invadiam sua mente a todo instante. O primeiro encontro com aquele homem, que a fez sentir-se apaixonada. O primeiro beijo... O casamento...

 

Quando o bebê nasceu, ele sentiu-se enciumado. Irritado com o choro que ecoava em sua mente.

 

Ao ser preso confessou o assassinato...


“Os encontros são sempre bons, cheios de planos e ilusões. As despedidas são tão tristes, temida por todos, causa dor, fere. Quando Rogério entrou na minha vida, me senti a pessoa mais feliz do mundo, vivíamos inesquecíveis momentos de amor... não existia dor, mentiras, era um sonho bom. Na verdade, até acredito que ele foi fiel, mas roubou minha vida, me tirando o que de melhor eu tive. O meu filho. Extraiu de maneira tão grotesca, tão desumana. Causando-me esta dor intolerável. Eu não previ que aquele encontro terminasse assim”.


Verônica fixou sua face no retrovisor, a pele pálida, os cabelos lisos. Recordava os momentos com Marcelo. Aquele homem a fizera feliz, embora, tanta indecisão, era um ser encantador. Na realidade Verônica apaixonou-se no instante em que se deparou com ele.

 

As vidas de “Ingrid e Verônica” cruzaram-se naquela noite imprevista. Como depositar credibilidade em amor, sendo que foi traída em extremo grau? Restou o gosto amargo. A culpa vem derrotando todos os seus objetivos. Ah! Se ela pudesse arrancar do seu interior aquela culpa. Para encontrar a paz que precisa.


Ingrid vive sem motivos, perdida no vazio do seu mundo. Em seus momentos de culpa, necessita tanto encontrar um abrigo seguro. As horas vão passando, tornam-se dias, transformam-se em meses, em anos.

 

Nas noites tristes vive sonhos que não acontecem. Em volta só vê cicatrizes do que já não é nada.

 

O que guarda são planos fracassados.

 

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